terça-feira, 14 de setembro de 2010

Deixo-me ir

Dá-me o teu abraço...
Aconchega-me com o teu calor....
Faz-me sentir protegida, querida e amada....
Não me deixes fugir...
Varre estes pensamentos da minha cabeça...
Amarra-me à tua corda
e quando eu mais precisar
puxa com toda a tua força!
Porque daqui dependerá, se me perdes ou se me apanhas....
O meu barco já anda à deriva!
O rumo não esta definido...
Posso ir para qualquer lado!
A corrente leva-me para longe de ti,
e eu deixo-me ir...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Balada do Desajeitado

Sei de alguém
Por demais envergonhado
Que por ser tão desajeitado
Nunca foi capaz de falar
Só que hoje
Viu o tempo que perdeu
Sabes esse alguém sou eu
E agora eu vou-te contar
Sabes lá
O que é que eu tenho passado
Estou sempre a fazer-te sinais
E tu não me tens ligado
E aqui estou eu
A ver o tempo a passar
A ver se chega o tempo
De haver tempo para te falar


Eu não sei
O que é que te hei-de dar
Nem te sei
Inventar frases bonitas
Mas aprendi uma ontem
Só que já me esqueci
Então olha gosto muito de ti


Podes crer
Que à noite o sono é ligeiro
Fico á espera o dia inteiro
Para poder desabafar
Mas como sempre
Chega a hora da verdade
E falta-me o á vontade
Acabo por me calar
Falta-me jeito
Ponho-me a escrever e rasgo
Cada vez a tremer mais
E às vezes até me engasgo
Nada a fazer
É por isso que eu te conto
É tarde para não dizer
Digo como sei e pronto


(Quadrilha)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Testemunho do mês de Missão

Esta foi a terceira vez que estive em Chapadinha....
Como foi bom regressar, rever amigos, voltar a sentir os abraços de carinho e amor de toda aquela gente!
Senti que regressar a Chapadinha é regressar a uma terra que já sinto como minha e nunca como este ano, isto fez tanto sentido para mim!
O Grupo Missionário João Paulo II trabalhou com a comunidade do bairro Areal, um bairro que para além de ser o maior da cidade, é também o que tem mais problemas sociais. Nas visitas porta-a-porta que o grupo fez diariamente, podemos ver que muitas das pessoas que vivem neste bairro têm problemas com droga e álcool, sendo que na sua grande maioria são jovens.
Outro trabalho que fiz foi dar aulas de viola, um desafio que apesar de já não ser novo, tem sempre novidade, porque nunca sei que crianças vou encontrar... Mais uma vez tive a difícil tarefa de dar aulas a crianças que não tinham uma viola para tocarem em casa. Muitas vezes eu própria me questionava se era importante elas terem ou não viola? Cheguei à conclusão que não... O importante era elas estarem ocupadas, com algo que lhes fosse agradável, onde pudessem aprender alguma coisa e que as tirassem das ruas do bairro.
Marcou-me muito a passagem por este bairro, por um lado, pela violência com que algumas crianças eram tratadas, sem qualquer tipo de protecção, pela perda da dignidade da mulher, pela pobreza extrema que vi nalgumas casas onde entrei; por outro lado quando a mim me parecia que já não havia qualquer motivo para haver esperança, surgia pela porta uma criança com um sorriso enorme estampado no rosto, querendo brincar comigo. Só Deus pode actuar em todas estas pessoas, dando-lhes força para continuarem a lutar, ainda que à sua maneira!
Regresso a Portugal com a certeza de que em nenhum outro ano me custou tanto deixar Chapadinha como este ano. Há tanto para fazer, para trabalhar com aquele povo... Sem dúvida que o meu coração ficou em Chapadinha e todos os dias penso e rezo por todos aqueles que se cruzaram comigo!
Susana Marques

Deixo-vos alguns sorrisos de esperança....






sábado, 4 de setembro de 2010

Diz-me que me amas...

Quantas vezes precisamos de ouvir alguém dizer que gosta de nós, que nos ama tal como somos, com os nossos defeitos, qualidades, limitações...?
Por vezes achamos que conhecemos tão bem as pessoas e que elas já sabem que gostamos tanto delas, que já nem vale a pena dizê-lo.... Acomodamo-nos, porque partimos do principio de que o amor que nos é dado por alguém, é seguro, estará sempre lá, e que nao necessita de ser renovado....
Nunca é demais ir dizendo às pessoas que nos são especiais, o quanto as amamos e o quanto elas são importantes para nós!
Porque é que temos medo das palavras?
Quando num simples abraço pode começar a mais bonita declaração de amor...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Por vezes apenas fica o silêncio....

Já não sei o que pensar....
Tudo parece cada vez mais degradado!
Luto para me mostrar indiferente, mas parece que sou inimiga de mim própria
Luto sim, por aqueles que já desistiram da sua própria existência
por aqueles que mais me maltratam e mais me magoam....
Para quê?
Não faz sentido nenhum....
A revolta toma conta de mim....
Uma revolta que apesar de legítima, me "estraga" enquanto pessoa....
Dou por mim sempre mal-humorada, chateada com tudo e com todos
e a viver superficialmente os momentos onde poderia ir buscar forças.
A amargura permanece constante, no meu olhar, na falta do meu sorriso e no meu afastamento.
É difícil partilhar....
O medo fala mais alto e faz-me dar espaço apenas ao meu próprio silencio.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tudo é tão difícil,
Tudo está tão difícil...
Dei-me conta que a qualquer hora, a qualquer minuto podemos perder aqueles que mais amamos...
A vida, por vezes num segundo nos pode escapar por entre os dedos....
Mas mesmo assim continuamos cada vez mais, a dar menos valor às situações mais importantes e mais graves!
É assim que se cresce?
E assim que é adulto?
São as situações que nos ajudam a crescer e a ser pessoas melhores!
Mas dá muito mais jeito optar pelo que é mais fácil. Colocar uma venda nos olhos e não só evitamos ver a realidade como ela é, como ainda conseguimos complicar ainda mais a vida dos que nos estão mais próximos...
Isto é vida?
É assim que se demonstra o amor que sentimos pelos outros?
Claro que não!
Por agora continuaremos assim, uns a tentar levar para a frente a vida difícil que já têm, e outros a sobreviverem, passando-lhes tudo ao lado, até o próprio dom da vida!
Mas um dia quando estivermos completamente sozinhos, talvez aprendamos que os que amamos não são para desprezarmos, ofendermos nem desrespeitarmos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Momentos que passam, Saudades que ficam


Momentos que passam, saudades que ficam...
Vivo esta última semana de Queima das Fitas e penso em tudo o que já vivi desde que entrei para a Universidade...
Posso dizer que foi das melhores escolas de vida porque já passei....
Fez-me crescer, lutar pela pessoa que sou e pela dignidade que mereço...
Muitas vezes tive que ir contra a corrente e travar confrontos que nunca pensei conseguir superar. Aprendi que neste mundo, é preciso ter muito cuidado, porque com grande facilidade podemos cair no erro de acharmos que os outros servem apenas para quando nos dão jeito, deixando de dar valor aquilo que as pessoas são!
A universidade obriga-nos a crescer, a ir á luta por aquilo que queremos, a aperfeiçoar os nossos dons e talentos, a sair da protecção da nossa família e a criarmos nós próprios a nossa própria defesa e protecção...
Os amigos que vamos fazendo ao longo deste caminho, vão sendo o nosso grande pilar....
Ouvem-nos, apoiam-nos quando precisamos, tornam-se grandes confidentes, mas também grandes companheiros de farras....
Por isso, nesta etapa que agora termina, guardo as melhores recordações desta vida académica, na certeza de que deixaram muitas saudades...

domingo, 9 de maio de 2010

Gosto muito de ti...

Gosto muito de ti…

Quantas vezes banalizamos esta frase e todo o sentido que ela carrega…

Quantas vezes apesar de a sentirmos, não a conseguimos dizer…

Parece que temos medo…

No fundo deixa-nos a nu, desarmados!

Mas porquê ter medo de gostar?

Porquê ter medo de amar?

Porquê ter medo de dizer: “Olha queria que soubesses que gosto muito de ti…”, ou simplesmente dizer: “Amo-te…”

Amar alguém é para mim, ainda hoje um mistério, mas dos mistérios mais deliciosos de ir desvendando… A amizade, a partilha, a cumplicidade, a confiança, a fidelidade, fazem parte desta descoberta do outro, que só faz sentido a partir do momento em que cada um complementa o outro….

Mas o que é isto do Amor?

Este sentimento que está tão fora de moda?

Que na grande maioria das vezes, apenas nos deixa o coração despedaçado?

Amor este, que nos faz lutar por algo….

Amor que quase nunca nos valoriza e raramente nos compensa….

Mas mesmo assim, amor, que não nos deixa desistir….

domingo, 11 de abril de 2010

Perdoa Senhor

Perdoa senhor o nosso dia
Perdoa-me Senhor por tudo o que hoje fui e que não devia ter sido...
A ausência de gestos corajosos

Porque hoje deixei a coragem em casa e me deixei vencer....

A fraqueza dos actos consentidos

que me deixou triste o olhar e a alma...

A vida nos momentos mal amados

que cada vez são mais....




Perdoa o espaço que Te não demos

Perdoa porque não Te compreendi...

Perdoa porque não nos libertámos

Perdoa porque só querer ir embora...

Perdoa as correntes que pusemos

Perdoa o meu isolamento...

Em Ti, Senhor, porque não ousamos

Perdoa-me



Contudo, faz-nos sentir:

Faz-me sentir-Te...

Perdoar é esquecer a antiga guerra

Mas pior que perdoar, é conseguir curar uma desilusão...

E, partindo, recomeçar de novo

Ajuda-me a recomeçar de novo...

Como o sol que sempre beija a terra.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Balançar


Pedes-me um tempo
pra balanço de vida




mas eu não sou de letras
não me sei dividir




para mim um balanço
é mesmo balançar
balançar é ter dar balanço
e sair...


Pedes-me um sonho
pra fazer de chão
mas eu desses não tenho
só dos de voar



e agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estas a salvar


de quê?
de viver o perigo


de quê?
de rasgar o peito

com o quê?
de morrer
mas de que paixão?

de quê?



se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde


e não ter, nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração

Prendes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens

esqueces que ás vezes
quando falha o chão
o salto é sem rede




e tens de abrir as mãos





Pedes-me um sonho
pra juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar




e agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.

(Mafalda Veiga)




Quantas vezes a nossa vida , precisa de uma pausa para que possamos fazer um balanço do que já passou, do que está a acontecer e do queremos fazer no futuro?
Um balanço, cujo o objectivo é debitar a felicidade, a segurança interior, a auto-estima, o amor próprio; e creditar as lágrimas, as tristezas, os sofrimentos, os cansaços, os desgastes...
Um balanço não se faz apenas com um "empurrãozinho", nem com uma vontade superficial de pensar e mudar, mas sim com um agitar por completo a vida analisando que frutos se podem colher de toda esta "árvore", na certeza de que colheremos frutos bons, e outros que não estão em tão bom estado!
Por vezes deixamos que o sonho comande a nossa vida, sonhos que são criados por nós mesmos, mas que nos dão a falsa sensação de segurança, de que estamos a ir no caminho certo... Mas quantas vezes essa segurança não é virtual? Quantas vezes na dura realidade esses mesmos sonhos, nos levam a perder o equilíbrio e sofrer grandes quedas? Quantas vezes o nosso próprio coração não é o desencadeador destas mesmas quedas? Entregamo-nos de corpo e alma ás emoções, aos sentimentos, às amizades, às paixões, ao amor; na certeza de que a vida só vale a pena, quando vivida desta forma, preferindo correr riscos, ignorando os perigos e por fim percebemos estamos a cair, e que nem temos direito a uma rede.
Resta-nos depois juntar os pedaços e aceitar que nem tudo o que parte se volta a colar e ganhar forças para (re)começar de novo, e seguir em frente!